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TAMANHO DO TEXTO

Linha Teológica

O Cristianismo possui várias formas eclesiásticas e denominacionais, com uma pluralidade de confissões de fé e sistemas doutrinários. Implicitamente reconhecemos certa unidade como cristãos, mas também temos aprendido a conviver respeitosamente com as diferenças de doutrina, liturgia e experiência de fé. Essa pluralidade é um elemento positivo na vida das Igrejas Cristãs, ainda que também ofereça dificuldades e ocasione conflitos. Assim, uma Faculdade de Teologia que tem como intenção servir às Igrejas Cristãs em geral, e não só a uma denominação em particular, precisa ser um espaço de pluralidade com respeito e busca de fidelidade à essência da fé cristã. Essência esta que sempre tem sido e continuará sendo objeto de nossa busca.

A isto, acrescentamos o reconhecimento de que é próprio da natureza do ambiente acadêmico o livre debate de idéias, a possibilidade da divergência, o dissenso, a variedade de opiniões e o pluralismo. Diante disso, propomos uma formação teológica nunca pronta, nunca definitiva, nunca acabada. Antes, uma formação em constante processo de elaboração. Pensamos nessa formação a partir de uma visão pautada na Bíblia e com os olhos missionários e éticos voltados para a dramática realidade do Brasil e da América Latina em um mundo globalizado. Nesse sentido, nossa filosofia educacional é baseada em uma “teologia fraca”. Ou seja, em uma teologia dialógica que não se propõe detentora da verdade, dogmática. Nossa visão teológica não é um pacote pronto, uma caixa fechada. Mas, uma teologia em constante escuta, em constante diálogo, sempre aberta ao aprendizado da Escritura e da voz de Deus que responde aos clamores da Sua criação. Uma teologia que convive com a divergência, considerando-se que é própria do espírito protestante, desde sua origem, a respeitosa e fraterna convivência em um ambiente de divergência de idéias.

Jesus já dizia que o Reino dos Céus é semelhante a uma pequena semente que cresce e torna-se uma árvore frondosa e nela aninham-se aves de muitas espécies, cada uma com seu canto, cada uma com suas cores, mas todas, indistintamente encontrando abrigo. Também é semelhante a uma rede que após lançada se enche de peixes de todas as espécies. Os Evangelhos também registram a famosa passagem em que os discípulos se aborrecem por haver um homem falando em nome de Jesus e, nas palavras deles, “ele não está conosco”. Este “ele não está conosco” é típico de instituições que se apresentam como detentoras da verdade, as defensoras da reta doutrina. Se este homem “não está conosco”, então, deve ser calado, rechaçado, expurgado e, ao longo da história, até morto se possível. Não, esta não é a linha teológica que propomos! O Curso de Teologia da Faculdade Unida é uma tribuna livre. Mas, uma liberdade que respeita determinados parâmetros. Um deles é o de idéias que se apresentam como dia-logo e não como mono-logo. Ou seja, nunca deve ser o de uma única opinião imposta seja pelo/a professor/a, seja pelo/a aluno/a.

Esta é nossa linha teológica. Uma linha teológica que celebra a diversidade. O fato de estarmos abertos às divergências e até celebrá-las não significa que não temos convicções. Certamente as temos. Contudo, cremos que estas convicções não devem ser rígidas ao ponto de nos fecharmos para o diálogo. Nossa inspiração para tal linha teológica é, acima de tudo, a Teologia da Encarnação conforme exposta em Filipenses 2:5-11, pois, Jesus no ato encarnatório, faz-se fraco, assume limitações e vulnerabilidades em solidariedade às nossas fraquezas humanas. A encarnação é fraqueza voluntária, empatia e identificação com nossas fragilidades. Inspirados em tal exemplo do Senhor de toda a criação é que propomos uma linha teológica que assume suas próprias limitações e fraquezas.

Nossa linha teológica não foi construída em oposição às Igrejas e suas doutrinas. Nós a temos construído em oposição a um tipo de teologia cujo paradigma é centrado na visão racional-positivista. Não aceitamos que fé e razão se oponham, mas cremos que ambas convivem de modo dialógico e conflitivo. Não aceitamos que religião e política existam em separação, mas defendemos que Igreja e Estado devem estar institucionalmente separados. Não aceitamos que doutrina e santidade sejam alienadas uma da outra, mas defendemos que a espiritualidade cristã é irmã de uma ética pessoal e social marcada pela justiça e pela solidariedade. Aceitamos os paradoxos da Fé e, diante do Mistério, assumimos a fragilidade histórica das certezas e o silêncio humilde como a melhor resposta aos desafios que a vida de fé nos apresenta.

Buscamos uma formação teológica integral, academicamente sólida, que prepare o corpo discente para o exercício da ação ministerial tanto na igreja, como na sociedade, como na academia. Afirmamos o compromisso com a integralidade da missão do povo de Deus em resposta à integralidade do amor, da graça e da soberania divinos. Trabalhamos alicerçados na esperança, pois cremos no Deus que “faz novas todas as coisas”.

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