Quando o apóstolo Paulo se tornou um cristão, ele não tinha um pensamento teológico definitivo. Seu pensamento foi amadurecendo ao longo de sua atividade missionária. Ao lermos as cartas de Paulo, na ordem em que foram escritas, observamos que várias temas evoluíram na medida em que o próprio apóstolo ia crescendo na experiência cristã.Podemos constatar um desenvolvimento na expectativa do apóstolo em relação a parusia (a volta gloriosa de Cristo).
Nas primeiras cartas (1 e 2 Tessalonicenses, 1 Coríntios, 2 Corintios 6:14 a 7:1 e 2 Coríntios 10:1 a 13:10) o apóstolo esperava que a volta de Cristo acontecesse em breve. O apóstolo contava com esta volta no transcurso de sua própria vida.
Nas cartas posteriores (Romanos, 2 Coríntios 1-9, Filipenses, Efésios, Gálatas e Colossenses) a preocupação pela volta de Cristo foi deslocada para um segundo plano. O apóstolo passou a se concentrar na continuação da história e na participação da Igreja.
Inicialmente, a elaboração teológica do apóstolo era de cunho apocalíptipo. Num segundo momento, observa-se um adiamento indeterminado da volta de Cristo.
No primeiro estágio, o apóstolo previa a ressurreição dos cristãos por ocasião da parusia. Observemos 1 Ts 4:13-18. Mas no segundo estágio, ele esperava receber um corpo espiritual, idêntico ao de Cristo, por ocasião de sua morte, como observamos em 2 Co 5:1-10. O pensamento de Paulo tornou-se mais realista e mais pessoal Paulo deixa de empregar eufemismos como ?sono? e ?partir? e passa a mencionar objetivamente a morte.
É possível que a idade do apóstolo o tenha levado a refletir mais sabre a sua própria morte. Mas fica evidente o crescimento espiritual do apóstolo em relação a este e a outras temas.
No primeiro estágio, Paulo entendia que os cristãos falecidos descansam no túmulo ou no hades, ?dormindo? até o momento da parusia. Ao redigir 2 Co 5 ele abandona a idéia de ?dormir?, para enfatizar uma comunhão pessoal e consciente com Cristo no céu imediatamente após a morte.
Estes dados mostram que o pensamento teológico de Paulo amadureceu durante a sua caminhada de fé. É possível que uma tribulação (2 Co 1:8) ou uma enfermidade (7:5) tenham influído.
O apóstolo Paulo emprega imagens muito variadas para descrever a escatologia (os últimos acontecimentos). Ele emprega uma linguagem figurada para descrever um futuro indescritível. Por isso, ele não nos proporciona um retrato apocalíptico claro e delimitado dos acontecimentos finais.
Mas há uma questão que é decisiva, clara e inequívoca: a morte e a ressurreição de Cristo são a base da esperança e da fé do cristão. A partir desta nova realidade, inaugurada por Cristo, ocorrem estes eventos:
- a volta gloriosa de Cristo;
- o tribunal de Cristo;
- a sujeição de todas as coisas a Cristo;
- o reconhecimento universal de Cristo;
- a sujeição de todas as coisas a Deus;
- o futuro aberto para a comunhão plena com Deus.
Com Cristo foi aberta a escatologia. E o futuro com Deus condiciona o nosso presente.
Um Igreja sóbria e aplicada ao estudo das Escrituras deve reconhecer que a volta de Cristo é uma realidade à qual nós não temos acesso direto. Ela só pode ser descrita através de ilustrações e metáforas.
O essencial é que para nós permanece o firme fundamento: a obra consumada de Jesus Cristo!