Agir rápido, agir juntos!

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Esta foi a resposta que o Conselho Mundial de Igrejas deu ao apelo feito pelo Secretário Geral da ONU, Ban Ki Moon, em visita à sua sede, em Genebra, na Suíça, em março de 2009, frente ao desafio do aquecimento global. O Conselho respondeu: “Agir rápido, agir juntos porque não tempo a perder”.

Tal postura pode nos sinalizar alguns caminhos pelos quais a Igreja Evangélica Brasileira não tem seguido, face aos desafios da cultura urbana e à evangelização, fazendo discípulos e discípulas de Jesus Cristo, no cumprimento de sua missão.

Se por um lado vivemos uma primavera missionária, com índices de crescimento expressivos, onde o próprio IBGE aponta para esta realidade, por outro lado, assistimos uma espécie de crescimento vazio, paradoxalmente, um crescimento sem vida, sem dinâmica, sem ação coordenada para o anúncio do Reino de Deus, com todas as suas implicações.

Afirma-se que o mundo (pós) moderno é regido pela lógica do poder econômico, do status, da posse, da aparência, da vitrine e do mercado. Nesse ambiente, a religião torna-se plural e, em vários setores, mercantilizada, regida pelo mercado. Assistimos e assistiremos, ainda mais fortemente, uma grande explosão religiosa daqui para frente. Há um crescimento assustador dos movimentos religiosos, das denominações, que buscam atender as necessidades individuais das pessoas, pois elas são vistas como um grande mercado religioso, esta é a verdade. Disso decorrem duas verdades: a primeira é que o centro das atenções na (pós) modernidade é o homem – e não Deus -, e a segunda é que a fé, em grande parte, vive sob as influências do poder econômico. Ou seja, ela tornou-se mais um produto a ser comercializado, consumido, buscando satisfazer sempre as necessidades do “cliente”. Eis o eixo hermenêutico através do qual devemos compreender o nosso grande problema evangélico.

De outra forma, a subjetividade da cultura (pós) moderna, regida pelo poder econômico, relativiza os valores cristãos, os princípios do Evangelho, compromete o verdadeiro e integral anuncio das Boas Novas de salvação, pois importa cada um com a sua fé, seja qual for. Cada indivíduo toma para si a tarefa de formar sua própria religião, com elementos de várias matizes religiosas, desde que satisfaçam suas necessidades. Significa dizer também que, uma parte expressiva de igrejas, paradoxalmente, anuncia apenas uma salvação para o céu e nos esquecemos de vivê-la aqui na terra. Esquecemos-nos de trazer a realidade do céu para o dia a dia da sociedade.

O importante é o que funciona. Vive-se um grande mercado ou shopping religioso, com suas múltiplas opções. Ou, numa outra imagem, não importa se a espiritualidade é do tipo “à la carte” ou “bufê”. A satisfação tem mais valor do que o conteúdo. O brutal crescimento evangélico não significado uma presença relevante e transformadora na sociedade, ao contrário, o que temos percebido é o surgimento de novas religiões (evangélicas?) de consumo. Ora, dentro dessa crise do qualitativo e do quantitativo, a grande pergunta é: Em meio a essa pluralidade religiosa, onde estão as grandes realizações desses novos grupos? A questão é: Estamos ou não vivendo uma espécie de mini-renascença na área religiosa e na espiritualidade ocidental com o surgimento desses novos movimentos? Um dos grandes desafios à fé cristã é discernir se a sociedade tem mudado diante dessa efervescência religiosa, incluindo os novos movimentos evangélicos. Tudo leva crer que não.

Assim, o que temos, infelizmente, é um campo fértil para o florescimento de toda sorte de seitas, grupos religiosos, com suas “patologias” espirituais, todos vencidos pelo poder econômico, utilizando, portanto, todo um ferramental de mercado, pois atuam exatamente nessa dinâmica, onde a fé torna-se um produto, e os fiéis verdadeiros consumidores. Toda essa “clientela” carece de um sentimento de pertença, comunitário, de integração, de solidariedade e de afetividade e, sobretudo, de um Evangelho verdadeiro, capaz de produzir discipulado sério, transformando homens e mulheres em seguidores de Jesus Cristo.

Ainda nessa perspectiva, não é mais Deus quem nos escolhe; o homem é quem o “seleciona” na prateleira do supermercado. E, assim, à medida que cresce no homem a necessidade de experimentar o maior número possível de opções, a pluralidade vai tornando tudo por demais superficial, a ponto de valores como constância, fidelidade, e permanência transformarem-se em verdadeiras relíquias. O problema do homem moderno, portanto, não é a falta de religião, o ateísmo e o secularismo, mas, ao contrário, a super-oferta de sentido religioso que o cerca por todos os lados.

Temos outro problema sério, dentro dessa perspectiva religiosa pluralista, é que o homem toma para si a tarefa de moldar a própria síntese, ou seja, sua religião “particular”, com elementos vindos de diversos sistemas religiosos e teoricamente conflitantes. Adentra, assim, no cenário, o famoso sincretismo religioso, ou “salada mista religiosa”.

Diante de tais realidades tão alarmantes, assistimos, por exemplo, um fenomenal crescimento evangélico na Grande Vitória, mas a violência ainda impera, a injustiça, a pobreza, a falta de educação, de saúde, enfim, falta uma gestão pública mais comprometida com o cidadão.

Como cristãos, necessitamos urgentemente de uma presença mais significativa e efetiva da Igreja na sociedade e uma participação na construção de uma sociedade justa e solidária, a serviço da vida e da esperança, e não da morte.

A motivação mais profunda do engajamento da pessoa que pauta sua vida pela fé cristã é a prática do amor cristão, isto é, a fé concretizada em obras (Lc.10.25-37). Ela aprofunda e radicaliza a compreensão e a vivência do valor de toda a luta pela justiça e pela solidariedade. No centro da fé cristã encontra-se uma afirmação radical da dignidade de toda a pessoa humana, ou seja, pois o ser humano é, em si mesmo, a razão indispensável para definir prioridades e para avaliar a prática das ações econômicas, políticas, sociais e espirituais. É por causa do valor da pessoa que o cristão luta pela construção de uma sociedade de solidariedade fraterna, em que não haja excluídos. Basta olharmos para a caminhada de Jesus Cristo para vermos todas essas perspectivas em seu ministério se tornando realidade. Aliás, Ele veio para construir uma nova sociedade e restaurar o homem desumanizado.

Como cristãos temos que procurar agir na direção da vontade de Jesus de Nazaré (Mc.9.36). Ter compaixão é estar com as pessoas e socorrê-las em suas necessidades individuais e sociais básicas. É comprometer-se e participar nos esforços de construção de alternativas transformadoras da realidade atual. A radicalidade desta prática exige que cada um socialize tudo o que tem: os cinco pães e os dois peixes, as capacidades e dons, a força de Cristo que faz até aleijados se levantarem de seus leitos. Soli Deo Gloria!
 
 
 
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