Por anos, não me dei conta de que agi como um religioso obstinado. Hoje lamento ter sido um inquisitorial que defendeu a “verdadeira doutrina”; renego ter me sentado na cadeira do fariseu intolerante que espezinhou pessoas simples; choro porque já calei diante de desmandos de gente “famosa” só para continuar bem quisto; tenho vergonha de já ter envernizado minha fala para angariar simpatias de um clero que hoje desdenho. Para surpresa dos fundamentalistas, mas para alegria dos meus familiares, mudei bastante nos últimos anos. Adianto: não estou nem um tiquinho preocupado em ser bem falado pelos puritanos que tentam ressuscitar a ética vitoriana; não perderei meu sono com os que se escandalizam com meus textos pessimistas. Aliás, aconselho os piedosos que não visitem mais meu site, pois vou continuar escrevendo textos bem sombrios.


